MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

***
"A tinta ganha calor quando viaja do nosso papel para o coração de quem lê."
"A lente capta a luz, mas é na partilha que a fotografia encontra o seu verdadeiro reflexo."
***

Onde Vais, Rio que Eu Canto: O Canto Límpido das Águas Transmontanas

Fotografia de Mário Silva

Onde Vais, Rio que Eu Canto:

O Canto Límpido das Águas Transmontanas

Há paisagens que parecem pintadas com a tinta da nostalgia e do lirismo mais puro.

Na fotografia de Mário Silva (e associada à reflexão bucólica), deparamo-nos com um recanto de serena beleza onde a água e a terra celebram um pacto milenar.

O título, de uma musicalidade tocante — “Onde vais, rio que eu canto ...” —, convida-nos a um diálogo íntimo com a corrente que serpenteia pelas bacias do Alto Tâmega.

.

A Moldura de Ramos e a Cascata de Prata

A composição visual é uma verdadeira ode à harmonia campestre, estruturada com um equilíbrio cénico irrepreensível:

A Moldura Natural: Em primeiro plano e nas margens, ramos finos e folhas dispersas de outono criam uma cortina delicada que emoldura o curso de água, conferindo ao observador a sensação de espreitar um segredo bem guardado da floresta.

.

O Açude e a Espuma Branca: Ao centro, a água desliza calma até encontrar a pedra de um pequeno açude rústico, precipitando-se numa cortina de espuma branca e espumosa que quebra o silêncio com o seu murmúrio constante.

.

O Espelho do Outono: Logo acima da queda de água, o leito alarga-se num espelho límpido que reflete fielmente as árvores da margem, cujas copas vestidas de tons dourados, ocres e castanhos se fundem na superfície líquida.

.

O Diálogo Poético com a Corrente

Perguntar ao rio "onde vais" é interrogar o próprio tempo.

Os rios transmontanos — que descem das serras agrestes rumo aos vales férteis — não são apenas veios de água que irrigam os campos; são as artérias vivas da memória coletiva de um povo.

.

Nesta perspetiva bucólica, o rio carrega consigo os segredos das raízes seculares, o cair das folhas do outono, o eco das conversas à sombra dos salgueiros e o passo vagaroso dos pastores.

Ao cantar o rio, o poeta (ou o fotógrafo) funde a sua própria voz com o som da corrente, numa melodia onde a natureza dita o compasso e o homem escuta, maravilhado.

.

"O rio corre sem pressa porque sabe que a sua viagem não tem fim: cada curva é uma estrofe, cada cascata é um refrão cantado à sombra dos montes."

.

A lente sensível de Mário Silva consegue capturar o instante em que a luz morna da estação veste a água de reflexos dourados, transformando um cenário rural comum num refúgio de paz espiritual.

É a exaltação da simplicidade, onde a beleza do mundo reside no curso natural das coisas.

.

Ao contemplar este espelho de água recortado pelos ramos do outono, para onde correm os seus pensamentos quando escuta o murmúrio secreto de um rio a descer a serra?

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

0