MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"A tinta ganha calor quando viaja do nosso papel para o coração de quem lê."
"A lente capta a luz, mas é na partilha que a fotografia encontra o seu verdadeiro reflexo."
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"Gasolina ou diamante líquido?" - Mário Silva (IA)

Ilustração digital (IA) sob a curadoria de Mário Silva

"Gasolina ou diamante líquido?"

 Mário Silva (IA)

Esta ilustração digital, sob a curadoria de Mário Silva, adota um estilo expressionista e profundamente caricatural, marcada por uma espessa e tátil textura em impasto que confere um relevo dramático e pesado a toda a composição.

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A Figura Central: Em primeiro plano, um homem de feições exageradas e anafadas — cabelo totalmente desarranjado, olhos esbugalhados de pânico, nariz proeminente e uma expressão de absoluta desolação — coça a cabeça com a mão direita.

Veste uma camisa clara e calças de ganga, encontrando-se junto a um automóvel clássico azul (um Carocha).

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O Ato de Abastecer: Com a mão esquerda, segura a mangueira de combustível introduzida no depósito do carro, enquanto observa, atónito, o ponteiro ou o valor a subir na bomba de gasolina ao lado.

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O Cenário: A cena desenrola-se numa bomba de combustível solitária ao cair da noite.

No céu crepuscular, pontuado por tons roxos e dourados, brilha uma lua cheia e redonda, iluminando a paisagem árida ao fundo.

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Selo de Curadoria: No canto inferior direito, discretamente gravado sobre o pavimento texturado, encontra-se o selo circular dourado com as iniciais "MS".

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O Ouro Preto da bomba

Quando Atestar o Depósito Fica Mais Caro do que Comprar o Carro

Há mistérios na economia moderna que superam largamente a física quântica e os buracos negros do espaço.

Um deles é, sem dúvida, o preço dos combustíveis em Portugal.

O cidadão comum entra numa estação de serviço com um modesto utilitário, enfia a mangueira no depósito a pensar que vai gastar o dinheiro de um café e de um pastel de nata, e sai de lá a ponderar seriamente se não lhe saía mais barato vender o carro aos bocados ou começar a deslocar-se de trotinete elétrica.

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O retrato caricatural do homem na ilustração de Mário Silva é a imagem exata do choque traumático nacional.

De olhos arregalados, com os cabelos em ponto de reboliço e a mão na cabeça, ele tenta processar o improcessável: será que está a meter gasolina 95 no veículo ou acabou de adquirir um lote exclusivo de diamante líquido refinado a ouro de vinte e quilates?

O visor da bomba avança mais depressa do que os batimentos cardíacos de um cardíaco em pleno pânico, e a carteira chora lágrimas de sangue.

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Antigamente, ir à bomba era um ato banal.

Hoje em dia, atestar o depósito exige quase a aprovação de um crédito bancário, a constituição de hipoteca sobre a habitação familiar ou a cedência de um rim ao Estado em troca de dois litros e meio de combustível.

O governo jura que os impostos são para o nosso bem e para salvar o planeta, mas o Zé Povinho olha para o talão da caixa e sente-se imediatamente expropriado da alma e da carteira.

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No fim de contas, o automobilista resigna-se: paga o imposto disfarçado de combustível, entra no carro, respira fundo e arranca, rezando a todos os santinhos para que a reserva aguente até ao próximo mês — altura em que o ouro preto estará, com certeza, cotado em bolsa ao preço do caviar beluga.

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Ao contemplar o desespero cómico deste condutor perante a bomba de combustível, considera que a escalada dos preços dos combustíveis transformou o automóvel num artigo de luxo inacessível, ou que o português continuará sempre a pagar o preço que for preciso só para não largar o volante?

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Texto & Ilustração digital (IA): ©MárioSilva

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