“Sagrado e Profano”
Carneiro Rodrigues

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A pintura “Sagrado e Profano”, do pintor flaviense Carneiro Rodrigues, é uma obra enigmática e de forte pendor teatral, onde o mistério da máscara e a geometria da forma se cruzam para explorar as polaridades da condição humana.
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As Três Figuras do Primeiro Plano: Em destaque no plano frontal, posicionam-se três figuras femininas com vestuário estilizado que evoca o traje histórico e de gala.
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À esquerda, uma figura enverga um corpete de tons turquesa com mangas abufadas e um toucado com padrão geométrico de arlequim; o seu rosto está coberto por uma máscara em tons de violeta e azul.
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Ao centro, vista de perfil, surge uma figura de vestido vermelho-rubi vivo, voltada para a direita.
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À direita, uma figura frontal de cabelo curto e escuro exibe uma máscara bipartida e enigmática, vestindo um traje de tonalidades violeta e alfazema.
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O Cenário Arquitetónico do Fundo: O fundo é dominado por uma arquitetura monumental, leve e vaporosa, composta por arcos de volta perfeita, abóbadas e o contorno de uma ponte.
A estrutura remete para a cenografia de uma cidade ideal renascentista ou para o ambiente enigmático dos canais venezianos.
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Cromatismo e Luz: A paleta de cores estabelece um contraste marcante entre o fundo — trabalhado em tons pastel luminosos e diáfanos de branco, lilás, rosa e ocre — e o primeiro plano, onde as figuras sobressaem com cores mais saturadas e densas (vermelhos, turquesas e roxos).
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Técnica e Temática
A Dialética entre o Sagrado e o Profano: O título da obra ganha expressão através da tensão entre a arquitetura do fundo — que evoca a serenidade, o templo e a ordem espiritual (o Sagrado) — e a presença do grupo de figuras mascaradas em primeiro plano, associadas ao teatro, à celebração carnavalesca, à sedução e ao ocultamento das aparências (o Profano).
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Geometrização Pós-Cubista e Simbolismo: Carneiro Rodrigues recorre a uma estilização formal de matriz pós-cubista, visível no facetamento plano dos vestidos, nos vincos das roupagens e nas linhas angulares das máscaras.
Esta abordagem confere às personagens uma dimensão quase estatuária ou de marionetas de um drama alegórico.
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O Papel da Máscara: A máscara é o elemento concetual chave da pintura.
Ao ocultar a identidade individual das figuras, o artista universaliza-as, transformando-as em arquétipos do desejo, do segredo e da representação social.
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Ao observar o jogo de olhares e disfarces entre estas três figuras sobre o fundo arquitetónico etéreo, a composição sugere-lhe o ambiente de um baile de máscaras enigmático ou a representação alegórica das várias facetas da alma humana?
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Carneiro Rodrigues
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