MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

*****
"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
*****

“Sagrado e Profano” - Carneiro Rodrigues

Pintura de Carneiro Rodrigues

“Sagrado e Profano”

Carneiro Rodrigues

.

A pintura “Sagrado e Profano”, do pintor flaviense Carneiro Rodrigues, é uma obra enigmática e de forte pendor teatral, onde o mistério da máscara e a geometria da forma se cruzam para explorar as polaridades da condição humana.

.

As Três Figuras do Primeiro Plano: Em destaque no plano frontal, posicionam-se três figuras femininas com vestuário estilizado que evoca o traje histórico e de gala.

.

À esquerda, uma figura enverga um corpete de tons turquesa com mangas abufadas e um toucado com padrão geométrico de arlequim; o seu rosto está coberto por uma máscara em tons de violeta e azul.

.

Ao centro, vista de perfil, surge uma figura de vestido vermelho-rubi vivo, voltada para a direita.

.

À direita, uma figura frontal de cabelo curto e escuro exibe uma máscara bipartida e enigmática, vestindo um traje de tonalidades violeta e alfazema.

.

O Cenário Arquitetónico do Fundo: O fundo é dominado por uma arquitetura monumental, leve e vaporosa, composta por arcos de volta perfeita, abóbadas e o contorno de uma ponte.

A estrutura remete para a cenografia de uma cidade ideal renascentista ou para o ambiente enigmático dos canais venezianos.

.

Cromatismo e Luz: A paleta de cores estabelece um contraste marcante entre o fundo — trabalhado em tons pastel luminosos e diáfanos de branco, lilás, rosa e ocre — e o primeiro plano, onde as figuras sobressaem com cores mais saturadas e densas (vermelhos, turquesas e roxos).

.

Técnica e Temática

A Dialética entre o Sagrado e o Profano: O título da obra ganha expressão através da tensão entre a arquitetura do fundo — que evoca a serenidade, o templo e a ordem espiritual (o Sagrado) — e a presença do grupo de figuras mascaradas em primeiro plano, associadas ao teatro, à celebração carnavalesca, à sedução e ao ocultamento das aparências (o Profano).

.

Geometrização Pós-Cubista e Simbolismo: Carneiro Rodrigues recorre a uma estilização formal de matriz pós-cubista, visível no facetamento plano dos vestidos, nos vincos das roupagens e nas linhas angulares das máscaras.

Esta abordagem confere às personagens uma dimensão quase estatuária ou de marionetas de um drama alegórico.

.

O Papel da Máscara: A máscara é o elemento concetual chave da pintura.

Ao ocultar a identidade individual das figuras, o artista universaliza-as, transformando-as em arquétipos do desejo, do segredo e da representação social.

.

Ao observar o jogo de olhares e disfarces entre estas três figuras sobre o fundo arquitetónico etéreo, a composição sugere-lhe o ambiente de um baile de máscaras enigmático ou a representação alegórica das várias facetas da alma humana?

.

Texto: ©MárioSilva

Pintura: Carneiro Rodrigues

.

.

0