“Cimo de Vila - antes, tão cheia, ... agora tão sozinha”
Águas Frias – Chaves - Portugal

Há um silêncio eloquente que habita a rua de Cimo de Vila, em Águas Frias, no concelho de Chaves.
Na fotografia de Mário Silva, sob o nostálgico título "Cimo de Vila - antes, tão cheia, ... agora tão sozinha", a luz brilhante do sol transmontano ilumina o traçado irregular da calçada de pedra, rasgado ao meio por uma sombra afiada que parece dividir o tempo entre a memória viva do passado e a serenidade do presente.
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A imagem revela a essência profunda de tantas povoações do interior português, onde a história se mede pelo contraste entre o rebuliço de outrora e a calma de hoje.
Na parede rústica de granito encavalitado, que durante gerações testemunhou o corrupio diário de famílias, vizinhos à conversa e miúdos a correr, restam agora as marcas do tempo.
O chão de pedras desalinhadas, outrora pisado pelo gado de faina e por dezenas de passos apressados, tem neste instante como único transeunte um solitário gato que passeia devagar, convertido no discreto guardião da rua.
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Contudo, esta solidão não é desprovida de afeto ou vitalidade.
A natureza e a dedicação dos que ali permanecem continuam a vestir a aldeia de cor e dignidade.
As vistosas malvas-da-índia de tom rosa vivo erguem-se como estandartes de resistência junto às fachadas, enquanto vasos com flores de um vermelho esbelto pontuam a base da rocha secular.
É a vida a teimar em florescer no detalhe, provando que, mesmo quando o silêncio ganha terreno, a alma da terra recusa-se a apagar.
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“A solidão das velhas ruas transmontanas não é um vazio de vida, mas uma abundância de memórias. Cada pedra da calçada guarda o eco quente dos passos daqueles que ali construíram o seu mundo.”
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O olhar de Mário Silva sobre Águas Frias transforma-se num reflexo poético sobre o despovoamento do interior rural.
Cimo de Vila pode estar hoje mais só, desprovido da multidão de antigamente, mas preserva intacta a nobreza, a luz e a memória genuína que continuam a definir o coração de Trás-os-Montes.
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Ao olhar para esta calçada solitária banhada pelo sol de Chaves, que memórias ou reflexões lhe desperta esta transformação das nossas aldeias históricas, entre a saudade do passado vivo e a beleza contemplativa do presente?
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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