O Romance no Caminho de Terra:
As Ninfas-do-bosque
(Limenitis reducta)
marcam um "Dayte"

Há quem diga que o romantismo no mundo moderno está pelas ruas da amargura, mas quem profere tamanha heresia claramente nunca calcorreou os trilhos poeirentos de Trás-os-Montes num final de tarde.
A prova irrefutável de que o amor — ou pelo menos, a arte do bom namoro — continua a esvoaçar por aí encontra-se magnificamente captada na fotografia de Mário Silva.
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Com o engenhoso e divertido título "Ninfas-do-bosque (Limenitis reducta) marcando um “dayte”", o autor convida-nos a ser intrusos, com a devida discrição, num autêntico encontro às cegas da natureza.
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O "Match" no Granito Transmontano
Esqueçam os restaurantes à meia-luz, os jantares caros e as aplicações de telemóvel.
No exigente mundo dos lepidópteros transmontanos, o "match" acontece ao ar livre.
O cenário escolhido por este casalinho alado foi um rústico e aquecido tapete de gravilha, composto por pequenos grãos de granito e quartzo.
Pode não parecer o ambiente mais fofinho para um primeiro encontro, mas, convenhamos, há lá prova maior de amor do que partilhar uma pedrinha pontiaguda debaixo de um sol abrasador?
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As nossas protagonistas vestiram-se a rigor para a ocasião, afinal, a primeira impressão é a que fica.
As Ninfas-do-bosque (Limenitis reducta) ostentam um autêntico traje de gala de alta costura florestal:
O "Smoking" da Natureza: As asas, abertas num misto de exibicionismo e banho de sol, revelam um tom escuro e aveludado, cortado cirurgicamente por manchas de um branco puríssimo.
Um contraste sublime, perfeito para quem quer impressionar sem parecer que se esforçou demasiado.
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A Tensão Romântica: Pousadas a uns meros milímetros uma da outra, o enquadramento denuncia uma clara dança de sedução.
Com as antenas alerta, quase conseguimos imaginar o diálogo silencioso a desenrolar-se: "Então... vens muito a este calhau?" ou "Adoro a forma como a luz reflete nessas tuas pintas brancas."
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A Poesia do Efémero
Por detrás do humor afetuoso da palavra "dayte", Mário Silva oferece-nos uma janela poética para a intimidade do microcosmos transmontano.
Há uma graciosidade tremenda em observar estas duas ninfas — criaturas mitológicas na literatura, mas perfeitamente reais e frágeis na nossa fauna — a pausarem o seu voo efémero.
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No meio da vastidão da paisagem, rodeadas por montes imensos e vales profundos, o universo parece ter-se reduzido àqueles poucos centímetros de terra batida onde duas borboletas decidem que vale a pena parar e conversar.
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A fotografia recorda-nos que, enquanto nós andamos stressados, de olhos postos nos relógios e focados na pressa dos nossos próprios "daytes", a natureza continua a saber saborear o tempo.
E ensina-nos uma lição valiosa: o verdadeiro romance não precisa de grandes palcos; às vezes, basta pousar ao lado de alguém no meio de um caminho de terra, estender as asas e aproveitar o sol.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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