MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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A Alma da Bigorna: "Da Forja ao Varandim" em Vilarandelo

Fotografia de Mário Silva

A Alma da Bigorna:

"Da Forja ao Varandim"

em Vilarandelo

Há um diálogo secreto e secular entre o fogo, o martelo e o tempo que ganha forma nas fachadas rústicas de Vilarandelo, no concelho de Valpaços.

Na fotografia de Mário Silva, intitulada "Da forja ao varandim", a luz quente e amarelada da tarde banha a arquitetura tradicional de uma antiga casa transmontana, celebrando o trabalho paciente e magistral dos antigos mestres ferreiros que sabiam transformar o ferro bruto e rígido numa elegante obra de arte.

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A composição revela o encanto indiscutível da arquitetura popular, onde o útil e o belo se fundem sem esforço.

Sob o longo beiral de madeira gasto pelos anos, erguem-se os prumos e suportes de ferro forjado, trabalhados com delicadeza.

Cada voluta, cada espiral e cada arabesco curvado sobre o metal contam a história do esforço humano: o calor incandescente da forja, o bater ritmado do martelo sobre a bigorna e o sopro que moldava a matéria rubra até ela ganhar a graciosidade de um desenho suspenso no ar.

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O varandim, com as suas linhas horizontais e os seus elementos decorativos que seguram a estrutura do telhado, funciona como uma moldura para as velhas janelas de madeira e para as chapas onduladas de tom ocre que guardam as memórias de outros tempos.

No canto inferior da fachada, a inscrição sóbria com o nome de Vilarandelo ancora a imagem na identidade profunda desta terra de Valpaços, onde o património edificado recusa ceder ao esquecimento.

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"No calor da forja, o ferro bruto aprendeu a dobrar-se ao talento do homem; na altura do varandim, transformou-se em renda eterna que sustenta o tempo e embeleza a vila."

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O olhar atento de Mário Silva eleva a mestria do artesanato tradicional.

Este registo lembra-nos que a beleza das nossas vilas e aldeias reside precisamente no detalhe feito à mão, no suor que deu vida à pedra, à madeira e ao metal, criando peças únicas que hoje continuam a saudar quem passa na rua.

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Ao contemplar este varandim onde o ferro forjado desafia as décadas, que valor e nostalgia atribui ao trabalho artesanal dos antigos ferreiros que ainda ornamenta as fachadas do nosso interior?

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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