MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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O Suspiro Transparente da Terra: "O Ribeiro e a Cerca de Ramos" em Tinhela

Fotografia de Mário Silva

O Suspiro Transparente da Terra:

"O Ribeiro e a Cerca de Ramos"

em Tinhela

Na calma profunda de Tinhela, no concelho de Valpaços, a água desenha o seu próprio caminho enquanto a mão do homem apenas acompanha, com extrema delicadeza, os contornos da paisagem.

A fotografia de Mário Silva, intitulada "O ribeiro e a cerca de ramos", transporta-nos para um refúgio secreto onde o tempo parece ter abrandado a marcha para escutar o rumorejar discreto do riacho.

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O olhar desce primeiro ao leito do ribeiro, onde a transparência cristalina da água revela o fundo cascalhento e dourado pela luz suave do sol.

Grandiosas pedras de granito, gastas e acolhedoras, emolduram a margem e servem de leito para a vegetação bravia que aí encontra sustento.

À esquerda, hastes esguias de plantas silvestres e folhas de um verde denso debruçam-se sobre a água, num jogo de sombras e reflexos que dançam à superfície.

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Mais acima, sobre o muro de pedra que sustenta a margem, ergue-se a modesta cerca de ramos.

Não se trata de uma barreira ríspida nem de uma fronteira de ferro; é uma obra de paciência rústica, feita de varas de madeira tosca, entrelaçadas com a simplicidade sábia das gentes transmontanas.

Esta vedação artesanal delimita o prado relvado que brilha em tons vivos de esmeralda ao fundo, sem nunca quebrar a harmonia do cenário.

Parece um abraço de madeira a proteger a relva macia e a assinalar a passagem para o curso de água.

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A luz solar atravessa as copas altas da folhagem e espalha um véu morno sobre toda a cena, criando uma atmosfera de profunda reclusão e serenidade.

Em Tinhela, a natureza e o gesto humano não se confrontam; unem-se numa simbiose poética onde a madeira da cerca continua a pertencer à própria floresta.

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Neste retrato bucólico, o fotógrafo capta a essência mais pura do interior português: a frescura das águas de Valpaços, o perfume do solo húmido e a nobreza da simplicidade rural.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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