O Ritmo Sereno da Raia:
A Criação de Gado Bovino
em Terras Galegas

Nas planícies e vales que unem o norte de Portugal à Galiza, a fronteira é apenas uma linha imaginária nos mapas.
A verdadeira geografia destas terras mede-se pelo ritmo das estações, pela cor dos pastos e pelas tradições agrícolas que partilham.
Através da imagem, o fotógrafo Mário Silva transporta-nos para San Cibrao, no município de Oímbra (Verín, Espanha), mesmo às portas do concelho de Chaves, oferecendo-nos uma visão profundamente poética e telúrica da "Criação de gado bovino".
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Esta imagem é um tributo à pecuária extensiva e ao silêncio majestoso do mundo rural ibérico.
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A Tela Dourada do Pastoreio
A composição da fotografia é um estudo magistral sobre a luz e o contraste natural que carateriza o final do verão na raia.
O olhar é imediatamente cativado pela paleta de cores e pela harmonia da cena:
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As Guardiãs do Vale: Em primeiro plano, o rebanho de bovinos pasta tranquilamente.
A sua pelagem de tons castanhos e avermelhados, aliada à impressionante envergadura dos seus cornos, remete-nos para a rusticidade das raças tradicionais da região (com traços que lembram a Cachena ou a Rubia Gallega).
Animais perfeitamente adaptados à dureza e generosidade do clima.
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O Contraste Estival: O gado move-se sobre um manto de pasto seco, tingido de ouro e cobre pela luz morna do sol rasante.
Este "mar" amarelado contrasta de forma deslumbrante com a densa cortina de árvores de um verde vibrante ao fundo, que sugere a frescura de uma linha de água próxima ou de um bosque frondoso.
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A Dança Simbiótica: Observando com atenção, pequenas aves esvoaçam em torno dos animais.
Esta interação natural ilustra o equilíbrio ecológico das pastagens tradicionais, onde a presença do gado atrai insetos que, por sua vez, alimentam os pássaros da região.
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Uma Herança de Respeito pela Terra
A criação de gado nestes moldes está muito longe da impessoalidade da indústria moderna.
Aqui, em Oímbra, tal como do lado de lá da fronteira, em Trás-os-Montes, pastorear é um ato de preservação paisagística.
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“Nesta vastidão onde o tempo abranda, cada passo do gado é uma assinatura na terra. É uma coreografia ancestral que mantém os campos limpos, fertiliza os solos e perpetua a alma de uma região que vive de mãos dadas com a natureza.”
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A névoa suave que repousa sobre as colinas ao fundo confere à imagem uma atmosfera de quietude quase sagrada.
Mário Silva não captou apenas vacas num prado; ele eternizou a dignidade do trabalho rural e a paz inabalável das manhãs (ou finais de tarde) no campo.
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Ao contemplar a serenidade desta paisagem raiana partilhada entre Portugal e Espanha, sente que as tradições agrícolas do interior estão a conseguir resistir aos desafios da modernidade?
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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