Ponte do Engenheiro Barbosa Carmona (Ponte Nova)
Mário Lino

A pintura de Mário Lino é uma representação serena e harmoniosa de um dos marcos estruturais da cidade de Chaves, cruzando as águas do rio Tâmega.
A obra capta a paisagem ribeirinha num ambiente que sugere a transição de estações, marcado por uma luz difusa e cores outonais.
.
O Primeiro Plano (O Rio e os Reflexos): A metade inferior da tela é preenchida pelo leito do rio Tâmega.
A água é representada com tons escuros e profundos, funcionando como um espelho que reflete de forma ondulante e fluida as arcadas da ponte, as sombras das árvores e os tons quentes do casario ao fundo.
.
O Plano Médio (A Ponte e as Margens): O elemento central e estruturador da composição é a Ponte do Engenheiro Barbosa Carmona (localmente conhecida como Ponte Nova).
A sua arquitetura é detalhada com precisão, destacando-se os arcos perfeitos e a balaustrada superior clara.
.
À esquerda, uma escadaria de pedra desce suavemente até à margem da água, acompanhada por troncos esguios de árvores.
.
À direita, duas árvores de troncos finos e folhagem verde-escura e densa inclinam-se sobre o rio, criando um forte elemento vertical.
.
O Fundo (O Casario e o Outono): Atrás da linha horizontal da ponte, ergue-se o casario tradicional flaviense.
Os edifícios de fachadas brancas e telhados de telha de barro vermelho criam um contraste luminoso com a ponte.
Destaca-se uma torre pontiaguda no perfil da cidade.
Intercalada com os edifícios, a vegetação exibe uma paleta vibrante de tons de outono — laranjas, ocres e avermelhados.
.
O Céu: O topo da composição apresenta um céu nublado, pintado com tons muito suaves de cinza e branco, que difunde a luz por toda a cena de forma homogénea, sem sombras solares duras.
.
Técnica e Estilística
Fluidez e Pincelada: A técnica utilizada sugere o uso de aguarela, guache ou acrílico diluído, evidente na forma como as manchas de cor se fundem na representação da água e do céu.
O artista equilibra uma pincelada mais solta e de estilo impressionista na vegetação e nos reflexos do rio, com um traço mais rigoroso e arquitetónico na definição da ponte e dos edifícios.
.
Composição e Enquadramento: Mário Lino utiliza uma técnica clássica de enquadramento (conhecida como repoussoir).
As árvores altas à direita e os troncos à esquerda funcionam como uma moldura natural escura que "fecha" as laterais da tela, empurrando o olhar do observador diretamente para o centro luminoso da composição: a ponte e a cidade.
.
Paleta Cromática e Contraste: A obra vive do contraste entre os tons frios e escuros do primeiro plano (verdes profundos, negros e cinzas azulados na água) e os tons quentes e luminosos do fundo (os brancos das paredes e os vermelhos/laranjas dos telhados e das folhas de outono).
Este jogo de luz e sombra confere uma grande profundidade à paisagem.
.
A pintura de Mário Lino é, no seu âmago, um retrato afetuoso e melancólico de Chaves.
Ao captar a integração harmoniosa entre a engenharia civil (a ponte), o património urbano (o casario) e a natureza (o rio e a vegetação outonal), o artista cristaliza a identidade ribeirinha e tranquila da cidade transmontana.
.
Texto: ©MárioSilva
Pintura: Mário Lino
.
.
