O pianista
Eurico Borges

A pintura da autoria do artista flaviense Eurico Borges, é uma obra vibrante que transcende a mera representação figurativa para capturar a essência invisível da música.
Com uma forte influência do cubismo e do abstracionismo expressivo, o pintor traduz o som, o ritmo e a emoção em cor e movimento.
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A Figura Central: No coração da composição encontra-se o pianista, retratado de perfil num tom quente de terracota ou vermelho-terra.
A figura não é delineada de forma realista; os seus traços faciais são simplificados e expressivos, com o olhar fixo na direção das mãos e do instrumento.
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A Desconstrução do Piano: O piano não é representado como um objeto sólido e estático.
Em vez disso, as teclas brancas flutuam e curvam-se pelo espaço, espalhando-se pela parte inferior da tela e subindo em direção às mãos do músico, como se fossem materializações visuais das notas musicais que estão a ser tocadas.
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O Dinamismo das Formas: A obra é dominada por linhas curvas, arcos amplos e formas sobrepostas.
À esquerda e em torno das costas do pianista, rodopiam grossas pinceladas vermelhas e arruivadas.
À direita, substituindo o volume pesado do piano, ergue-se uma massa envolvente de tons azuis profundos.
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O Espaço Negativo: O branco brilhante da tela não serve apenas como fundo; atua como um elemento ativo (espaço negativo) que recorta e define os braços da figura, as teclas flutuantes e as linhas estruturais da composição geométrica.
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A Metáfora Cromática
Eurico Borges utiliza a cor para criar uma dualidade emocional na tela.
Os tons quentes (vermelhos, laranjas e castanhos) do lado esquerdo, que compõem o corpo do pianista, sugerem a paixão, a energia humana e o calor físico e emocional do ato de tocar.
Os tons frios (azuis e roxos) do lado direito representam, possivelmente, a própria música, a profundidade do som ou a atmosfera introspetiva da melodia que ressoa a partir do instrumento.
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A Representação do Som e do Movimento
A pintura é tudo menos estática.
A fragmentação geométrica (típica das vanguardas cubistas) aliada às linhas curvas e varridas cria uma ilusão de turbilhão.
As teclas que se soltam e se espalham pela base da tela transmitem a sensação de que o som está a transbordar do instrumento, preenchendo o espaço aéreo em ondas físicas.
O observador "vê" o ritmo e o eco da música através deste turbilhão visual.
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A Fusão entre o Homem e a Arte
Um dos aspetos mais marcantes desta obra é a forma como o artista dilui as fronteiras entre o criador e a sua criação.
Os braços do pianista, rasgados pelo espaço negativo branco, parecem fundir-se diretamente com as teclas voadoras.
Não há uma distinção clara onde termina o homem e onde começa o piano.
Esta fusão visual é uma poderosa metáfora sobre a entrega total do músico à sua arte, sugerindo que, no momento da performance, o corpo do pianista e a melodia tornam-se uma única entidade fluida.
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Em suma, a obra assinada e datada no canto inferior esquerdo capta brilhantemente a intangibilidade da música.
Eurico Borges não nos mostra apenas um homem a tocar um instrumento; mostra-nos a energia da música a ser libertada.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Eurico Borges
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