O Monumento à Água:
O Fontanário de Vila Verde da Raia

Nas aldeias transmontanas, a água sempre foi muito mais do que um mero recurso; é um bem precioso em torno do qual a própria comunidade se ergue e organiza.
A fotografia de Mário Silva, intitulada "Fontanário", transporta-nos para a pacata localidade de Vila Verde da Raia, no concelho de Chaves.
Sob um céu azul imaculado, o fotógrafo capta a imponência de um chafariz de granito que se ergue no largo, funcionando como um verdadeiro obelisco da memória coletiva local.
A Elegância Esculpida na Pedra
O que sobressai de imediato no enquadramento vertical da imagem é a nobreza da construção.
Longe de ser uma estrutura puramente utilitária, este fontanário exibe um cuidado arquitetónico notável, desenhado para dignificar o espaço público:
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A Marca de 1894: Num escudo central elegantemente esculpido no granito, o olhar é atraído para a data de 1894.
Este detalhe remete-nos para o final do século XIX, uma época em que a construção de chafarizes públicos representava um enorme avanço civilizacional e um motivo de orgulho para as populações rurais.
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O Coroamento Clássico: A estrutura eleva-se através de secções geométricas bem delineadas, culminando num remate sofisticado.
Com a forma de uma urna ou taça clássica encimada por um pináculo, este topo confere ao monumento uma estética de inspiração neoclássica.
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O Corpo Robusto e Fiel: A base maciça e texturada suporta as bicas (uma delas visível na parte inferior, com um modesto tubo metálico), por onde, durante mais de um século, jorrou a vida em forma de água fresca.
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O Coração Palpitante da Aldeia
Historicamente, antes da chegada da água canalizada às habitações, estruturas como esta eram o verdadeiro centro social da aldeia.
Era o local obrigatório das conversas diárias, do fechar de negócios agrícolas, das confidências partilhadas e dos olhares cruzados entre os jovens, enquanto os pesados cântaros de barro ou zinco iam sendo pacientemente enchidos.
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“O granito deste fontanário não guarda apenas a frescura da água que brota da terra; ele guarda os ecos e os segredos de gerações inteiras que ali pararam para saciar a sede e a alma.”
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Na composição de Mário Silva, o passado e o presente encontram-se.
Se, por um lado, o chão em calçada de paralelepípedos e a casa de blocos de pedra à esquerda nos ancoram na tradição rural, o automóvel moderno e a habitação atualizada em segundo plano lembram-nos que Vila Verde da Raia continua a trilhar o seu caminho no tempo.
Inabalável, o fontanário oitocentista permanece de pé, velando pelo largo da aldeia.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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