MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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O Guardião de Granito: O Penedo Redondo e a Memória da Raia Transmontana

Fotografia de Mário Silva

O Guardião de Granito:

O Penedo Redondo

e a Memória

da Raia Transmontana

Existem lugares onde a geografia e a história colidem, fundindo-se numa única e imponente cicatriz na paisagem.

Através da lente do fotógrafo Mário Silva, somos levados a um desses pontos nevrálgicos: o Penedo Redondo.

Mais do que uma simples formação rochosa, este monólito ancestral serve de base ao Marco 231, uma fronteira de pedra que, desde o século XIX, tenta dividir o que a cultura transmontana e galega sempre uniu.

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Nesta imagem, banhada pela luz crua que ilumina os campos ressequidos do final do estio, respiramos o silêncio denso e carregado de memórias da "Raia".

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A Escultura do Tratado de 1864

Para compreender a magnitude política desta pedra, é preciso recuar ao Tratado de Limites de Lisboa, assinado a 29 de setembro de 1864 entre os reinos de Portugal e Espanha.

Este acordo histórico teve como principal objetivo desenhar uma linha de fronteira definitiva e acabar com as ambiguidades territoriais que subsistiam desde a Idade Média.

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O Fim das "Aldeias Promíscuas": Antes do tratado, existiam na região do Alto Tâmega aldeias cortadas a meio pela linha invisível da fronteira (como Soutelinho da Raia, Cambedo e Lama de Arcos).

As casas tinham portas viradas para Portugal e janelas para Espanha, facilitando o contrabando e a fuga à justiça.

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A Demarcação Física: Para impor a ordem do Estado nestas terras esquecidas, foram cravados centenas de marcos fronteiriços ao longo da raia.

O Penedo Redondo foi o local escolhido para ancorar o marco número 231, materializando em granito a autoridade de dois países.

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A Tatuagem da Identidade Nacional

A composição da fotografia revela pormenores fascinantes sobre a apropriação humana da paisagem natural.

O monólito, que pela sua forma arredondada e disposição quase lembra um dólmen pré-histórico, não ostenta apenas o marco branco e oficial no seu topo com a letra "P" virada para o território lusitano.

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Na sua "pele" de pedra, o penedo exibe orgulhosamente as suas tatuagens pátrias:

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A Heráldica Popular: Pintado a cores vivas sobre o granito envelhecido, destaca-se o escudo com as quinas e os castelos da bandeira portuguesa, acompanhado por outras gravuras e inscrições com a letra "P".

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Um Grito de Pertença: Estas pinturas, longe do rigor geométrico da heráldica oficial, refletem o fervor e a rusticidade do patriotismo local, marcando aquele pedaço de terra como inequivocamente português.

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“Os reis desenharam a fronteira no papel e os canteiros cravaram-na na pedra, mas para os povos da raia, o Penedo Redondo nunca foi um muro que separa; foi sempre um ponto de encontro e uma testemunha muda dos segredos partilhados entre os dois lados da montanha.”

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Através desta fotografia, Mário Silva capta não apenas um pedaço de rocha, mas o peso de um tratado diplomático que mudou para sempre a vida das comunidades fronteiriças de Chaves.

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Ao refletir sobre estas antigas linhas políticas impostas pelo Tratado de 1864, acredita que o verdadeiro espírito de união e solidariedade raiana acabou por se revelar sempre mais forte do que as fronteiras cravadas na pedra?

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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