O Abraço da Madeira e da Pedra:
A Típica Varanda Transmontana
em Sanjurge

Na arquitetura vernacular do Alto Tâmega, as casas não se limitavam a dar teto; dialogavam intimamente com o clima, a paisagem e o ritmo do trabalho rural.
Na aldeia de Sanjurge, a poucos quilómetros de Chaves, a fotografia de Mário Silva — sob o título "A típica varanda transmontana" — resgata do tempo uma das estruturas mais emblemáticas da identidade comunitária do interior: a varanda de alpendre.
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Através do enquadramento presente na fotografia, a câmara aproxima-se do detalhe construtivo e revela a nobreza dos materiais simples, onde o peso do granito e a calidez da madeira se fundem numa composição banhada pela luz dourada de Trás-os-Montes.
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A Sinergia dos Elementos Vernáculos
A varanda transmontana é um exemplo notável de funcionalidade adaptada ao meio.
Mais do que um mero elemento estético, respondia às exigências rigorosas das estações transmontanas — dos invernos gelados aos verões abrasadores:
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Os Pilares de Granito: Na base, dois imponentes esteios de pedra assentam diretamente no solo.
Esculpidos com a rusticidade dos canteiros locais, estes pilares sustentam todo o peso da estrutura superior, ancorando a habitação à própria terra.
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A Trave Mestra de Madeira: Sobre os pilares descansa um grosso tronco de madeira envelhecida, conservando a sua curvatura natural.
É este elemento vegetal, marcado por fendas e coberto por pequenos tufos de vegetação oportunista, que faz a transição entre a rigidez do granito e o soalho da varanda.
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O Alpendre Protetor: A cobertura saliente, suportada por prumos de madeira, protege tanto o corredor superior como a entrada do piso térreo contra a chuva e a neve, criando uma zona de transição térmica fundamental.
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O Espaço Social e o Rito do Quotidiano
Na tradição rural de Trás-os-Montes, o piso térreo das casas — conhecido como as "lojas" ou "cortes" — destinava-se tradicionalmente ao abrigo do gado, das alfaias e do vinho, enquanto o piso superior servia de habitação.
A varanda funcionava como o verdadeiro coração social da casa:
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Zona de Trabalho e Secagem: Era na varanda que se expunham ao ar e ao sol os produtos da terra, como as fiadas de cebolas, os alhos, os pimentos ou as ervas aromáticas.
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Galeria de Convivência: Servia de ponto de observação sobre a rua e lugar de descanso ao final da tarde, onde se apanhava o calor morno do sol de inverno ("o solas") ou a brisa fresca da noite.
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Os Guardiões da Tradição na Imagem
A composição de Mário Silva destaca pormenores que conferem alma à habitação.
Sobre as tábuas do soalho da varanda, abraçados pela balaustrada de madeira, repousam velhos jarros de barro e bilhas tradicionais, hoje ornados com flores secas.
O vermelho vivo da caixilharia que espreita ao fundo contrasta com os tons quentes do granito e do castanheiro, enquanto o número "2" pintado na parede sob a varanda recorda que esta peça de património continua a ser uma casa viva.
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“A varanda transmontana é o abraço de acolhimento da casa rústica: protege a entrada de quem chega, guarda os frutos da terra e oferece a quem nela se senta o privilégio de contemplar a vida da aldeia a passar devagar.”
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Esta imagem imortalizada nesta fotografia, celebra a mestria dos construtores de outrora, que com granito, madeira e sabedoria sabiam erguer lares capazes de resistir aos séculos sem perder a graciosidade.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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