"Madalena - Chaves"
Alcino Rodrigues

A obra "Madalena - Chaves", da autoria do pintor flaviense Alcino Rodrigues, apresenta um olhar expressivo e intimista sobre uma das zonas históricas e emblemáticas da cidade de Chaves.
Através de uma técnica mista que combina o desenho a tinta com a aguarela, o artista capta a essência do património urbano e a vivência quotidiana transmontana.
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O Eixo Central (A Árvore): O elemento de maior destaque na composição é uma árvore de grande porte posicionada ao centro.
O seu tronco robusto ergue-se a partir do passeio, e a sua copa densa e verdejante expande-se, ocultando parcialmente a arquitetura monumental que se encontra em segundo plano.
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A Arquitetura Histórica: Por trás da ramagem da árvore, vislumbra-se a Igreja da Madalena.
São perfeitamente reconhecíveis os elementos arquitetónicos religiosos: a torre sineira à esquerda e a imponente cúpula ou zimbório à direita, coroada por um catavento ou cruz, contrastando com os telhados tradicionais de cor alaranjada.
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O Comércio e a Identidade: No lado direito da composição, ao nível do rés do chão, destaca-se a fachada de um edifício com duas portas castanhas ladeadas por montras.
Sobre estas, repousa um toldo ou letreiro onde se lê claramente "AQUAE FLAVIAE", a designação romana da cidade de Chaves, cimentando a identidade histórica do local.
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A Vida Quotidiana e o Espaço: O primeiro plano mostra uma rua calcetada.
Junto à base da árvore, duas figuras humanas de contornos indefinidos caminham, conferindo escala à arquitetura e trazendo movimento e vida à cena.
À esquerda, uma ruela estreita e empedrada perde-se no fundo, ladeada por edifícios com as típicas janelas de guilhotina ou sacada.
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A Assinatura: No canto inferior direito, o artista assinou a obra de forma visível com o seu nome, "Alcino", seguido da indicação do ano.
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Análise Artística
A Técnica (Line and Wash): Alcino Rodrigues utiliza uma abordagem muito próxima do >”urban sketching” (esboço urbano).
O desenho estrutural é feito com linhas rápidas, trémulas e soltas a tinta escura, que definem os contornos dos edifícios, das figuras e dos ramos da árvore.
Sobre esta estrutura gráfica, o artista aplica manchas de aguarela (ou tintas diluídas semelhantes) de forma livre e fluida, sem a rigidez de preencher perfeitamente os espaços.
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Luz, Sombra e Atmosfera: A obra exibe um excelente domínio da luz.
O sol parece incidir num ângulo que projeta sombras fortes e demarcadas no chão calcetado (visíveis no lado esquerdo e sob a árvore), sugerindo uma manhã ou um final de tarde soalheiro.
O contraste entre os tons quentes da terracota dos telhados e o verde fresco da copa da árvore cria uma atmosfera vibrante e acolhedora.
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Composição e Profundidade: A escolha de colocar a árvore no primeiro plano imediato é um recurso composicional muito forte.
Em vez de pintar o monumento de forma estática e desimpedida, o artista cria camadas (o largo, a árvore, o casario inferior e a igreja no topo), o que confere uma enorme profundidade tridimensional à cena.
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Significado: A pintura é uma homenagem à terra natal do artista.
Ao juntar, na mesma tela, o património religioso (a igreja), o património histórico enraizado (a referência a Aquae Flaviae) e o elemento natural orgânico (a árvore), Alcino Rodrigues encapsula a alma da cidade de Chaves — um lugar onde a história antiga e a vida quotidiana coexistem harmoniosamente.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Alcino Rodrigues
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