"Corpus"

"Corpus" é uma pintura de 2024 do artista flaviense Mário Lino que apresenta uma composição figurativa de forte pendor simbólico e estético, focada na representação e ornamentação do corpo feminino.
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Figura da Esquerda (Perspetiva Posterior): À esquerda, uma figura feminina surge de costas para o observador, vestindo um traje cinzento-azulado com um decote profundo que expõe a totalidade do dorso.
Ao longo da coluna vertebral, exibe uma elegante pintura ou tatuagem de traço negro que representa um jarro (flor também conhecida como copo-de-leite), cujas linhas verticais acentuam a anatomia do corpo.
Figura da Direita (Perspetiva Anterior/Perfil): À direita, em sobreposição secundária, encontra-se outra figura feminina com uma tez pálida e lábios pintados de vermelho vivo, representada com os olhos fechados.
A zona superior do rosto está coberta por uma máscara ou touca preta ricamente decorada com arabescos dourados.
Esse mesmo padrão ornamental estende-se pelo braço e contorna o torso seminu, onde se observa, na zona do peito e pescoço, um segundo desenho linear e abstrato de formas orgânicas.
Fundo e Assinatura: O plano de fundo é abstrato, dominado por texturas suaves em tons quentes de ocre, castanho e dourado, estabelecendo um forte contraste com a paleta mais fria e azulada usada nas figuras.
A obra encontra-se assinada e datada ("Máriolino 2024") no canto inferior direito.
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O Conceito do "Corpus" (O Corpo como Tela)
O título "Corpus" (corpo, em latim) traduz de forma direta a matriz conceptual da pintura.
Mário Lino aborda o corpo humano não apenas como um exercício de proporção ou beleza clássica, mas como um território de expressão artística e intervenção gráfica.
A pele das figuras funciona como uma extensão da própria tela do pintor, onde o traço orgânico (a flor e os ramos abstratos) e o padrão geométrico/ornamental se fundem com a carne.
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O Jogo da Dualidade e do Mistério
A composição vive de um refinado jogo de contrastes e complementaridade:
Revelação vs. Ocultação: Enquanto a figura da esquerda se despe de ornamentos pesados para revelar a nudez simples da pele e a delicadeza de uma flor, a figura da direita reveste-se de opulência, usando a máscara e os arabescos dourados para criar uma aura de mistério e sofisticação teatral.
Movimento do Olhar: A oposição entre as posições das figuras (uma de costas, outra de frente/perfil) confere tridimensionalidade e ritmo à leitura da obra, sugerindo que estamos perante duas facetas da mesma essência feminina: a vulnerabilidade natural e a máscara social ou ritualística.
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Afinidades Estilísticas
A nível estilístico, a pintura evoca influências do Simbolismo e da Art Nouveau, visíveis na fluidez das linhas heráldicas da flor, na expressividade contida dos rostos e no uso decorativo do dourado que remete quase para a arte da filigrana ou da ourivesaria tradicional.
A escolha de manter os olhos fechados na figura mascarada reforça o caráter onírico e interior da narrativa, transportando o observador para um universo de sonho, introspeção e sensualidade velada.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Mário Lino
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