MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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"(Cores da Terra) Pastoreio nos Lameiros do Barroso” - Alfredo Cabeleira

Pintura de Alfredo Cabeleira

"(Cores da Terra)

Pastoreio nos Lameiros do Barroso”

 Alfredo Cabeleira

A pintura é uma representação figurativa e realista que celebra a identidade rural, agrícola e pastoril da região do Barroso, no norte de Portugal.

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O Pastor: No lado esquerdo do primeiro plano, caminha um pastor com um olhar sereno e focado.

Veste o traje típico de trabalho do campo: uma camisa de padrão axadrezado sob um casaco escuro, calças cinzentas metidas dentro de galochas (botas de borracha) escuras, ideais para calcar a humidade dos lameiros, e um chapéu de feltro na cabeça.

Na mão direita, segura firmemente um cajado de madeira.

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O Gado Barrosão: A acompanhar o pastor estão três vacas da raça Barrosã, facilmente identificáveis pela sua pelagem castanho-avermelhada (cor de pinhão) e pelos seus característicos cornos longos e em lira, erguidos em direção ao céu.

Duas delas caminham mais à frente, do lado direito, ostentando chocalhos ao pescoço, enquanto a terceira segue logo atrás do pastor.

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Os Lameiros e o Caminho: O solo é percorrido por um caminho de terra batida, pontuado por poças de água brilhante que refletem o céu, indicando a abundância de água típica dos "lameiros" (pastagens de montanha permanentemente húmidas).

Os prados verdejantes estendem-se pelas laterais, salpicados por pequenas flores silvestres brancas, amarelas e lilases.

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A Arquitetura Tradicional: No plano médio esquerdo, destaca-se uma casa tradicional de pedra posta (granito) com um telhado de telha de canudo cor de laranja, perfeitamente integrada na paisagem e emoldurada por árvores frondosas.

Os campos são delimitados por muros baixos de pedra seca (muros de granito).

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O Cenário de Fundo: Um caminho sinuoso serpenteia em direção ao horizonte, guiando o olhar até às montanhas que se recortam ao fundo sob um céu azul brilhante, povoado por nuvens brancas e luminosas.

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Técnica e Estilística

Alfredo Cabeleira, pintor flaviense, demonstra nesta obra um profundo respeito pelo património natural e humano da sua região, utilizando um estilo marcadamente naturalista e regionalista.

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Paleta de Cores ("Cores da Terra"): Fazendo jus ao título da série, a paleta é dominada por tons orgânicos e vibrantes.

O verde viçoso dos prados contrasta de forma harmoniosa com o castanho-quente e acobreado do gado barrosão e com os tons terra do caminho de lama.

O azul do céu e o laranja do telhado da casa criam pontos de equilíbrio cromático complementares.

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Luz e Textura: A iluminação é difusa, mas clara, simulando um dia fresco e luminoso típico de Trás-os-Montes.

Há um excelente trabalho de textura na representação da água nas poças, na aspereza do caminho de terra, na suavidade da pelagem dos animais e na rugosidade das pedras dos muros e da casa.

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Composição e Perspetiva: A composição é estruturada de forma inteligente.

O pastor e as vacas barrosãs ancoram o primeiro plano e criam uma dinâmica de movimento da esquerda para a direita.

O caminho sinuoso que se estende para o fundo e a sobreposição das montanhas criam uma excelente sensação de profundidade e perspetiva tridimensional.

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Atmosfera e Interpretação

A atmosfera que emana de “Pastoreio nos Lameiros do Barroso" é de uma tranquilidade imensa, dignidade e harmonia.

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A pintura é um hino ao ecossistema único do Barroso (classificado como Património Agrícola Mundial).

Não se trata apenas de uma representação estética, mas sim de um registo etnográfico e afetivo da simbiose entre o homem, o animal e a terra.

Ao retratar a raça barrosã e o pastor no seu ambiente quotidiano, Alfredo Cabeleira imortaliza a resiliência e a pacatez de uma vida ligada aos ciclos da natureza, alheia à pressa do mundo contemporâneo.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alfredo Cabeleira

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