Cizirão (Lathyrus latifolius)
Nome incomum para tanta beleza herbácea

O Cizirão: Um Poema em Fúcsia
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Na vastidão da flora silvestre, onde tantas vezes o olhar se perde na monotonia dos verdes, irrompe, sublime, o Cizirão.
O título da fotografia de Mário Silva — "Cizirão (Lathyrus latifolius) – Nome incomum para tanta beleza herbácea" — capta com uma exatidão cirúrgica o paradoxo que esta planta encerra.
Como pode uma palavra tão áspera, de fonética rústica e quase agreste, batizar uma manifestação tão delicada e etérea da natureza?
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A imagem revela-nos uma flor de um rosa vibrante, cujas pétalas se desdobram num abraço caprichoso, lembrando as asas de uma borboleta ou as dobras de um vestido de seda amarrotado pelo vento.
Esta arquitetura floral, típica das leguminosas papilionáceas, é um convite sereno à contemplação.
Através da sua objetiva, Mário Silva não regista apenas um espécime botânico de forma fria; ele isola e imortaliza a poesia visual da planta.
O fundo suavemente desfocado, pintado com os tons terrosos e esverdeados do crepúsculo ou da sombra densa, abraça a flor e faz com que os veios desenhados na sua textura magenta resplandeçam com uma luz quase interior.
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“A beleza selvagem não pede licença para florir, nem nomes nobres para ser admirada.”
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O Lathyrus latifolius, vulgarmente conhecido também como ervilha-de-cheiro perene, não é uma planta de salões adornados ou de estufas mimadas.
Não exige solos ricos nem cuidados constantes.
A sua beleza é a do mundo selvagem, rebelde e indomável.
É uma planta que trepa, enreda-se e conquista o seu espaço, resistindo aos caprichos do tempo para, de súbito, nos oferecer a sua corola brilhante como um grito de vida no meio da folhagem desordenada e dos campos incultos.
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O contraste entre o peso do nome "Cizirão" e a leveza da sua forma é, no fundo, uma lição silenciosa.
A natureza não se rege pelos nossos dicionários, nem as suas criações necessitam de títulos aristocráticos para atestarem a sua majestade.
O Cizirão recorda-nos que a verdadeira beleza reside na sua própria existência.
Basta-lhe a luz certa, um olhar atento e demorado — como o do fotógrafo que soube parar para a eternizar — e a inabalável audácia de florescer.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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