MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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Capitel no arco de entrada: Igreja de Nossa Senhora da Azinheira (Outeiro Seco, Chaves)

Fotografia de Mário Silva

Capitel no arco de entrada

Igreja de Nossa Senhora da Azinheira

 (Outeiro Seco, Chaves)

O Bestiário em Granito:

O Capitel Românico de Outeiro Seco

Na entrada da Igreja de Nossa Senhora da Azinheira, situada na aldeia de Outeiro Seco, no concelho de Chaves, o granito lavrado guarda segredos com mais de oito séculos de história.

Através da perspetiva aproximada de Mário Silva, a atenção e o detalhe centram-se num dos elementos mais fascinantes da vertente esculpida da arquitetura românica transmontana: um capitel do portal principal que conjuga a mestria dos canteiros medievais com a simbiose entre o sagrado e o profano.

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A Expressividade do Bestiário Medieval

O românico rural do interior de Portugal encontra no vale do Tâmega uma linguagem própria, caraterizada pela rusticidade expressiva e pela força das formas.

Neste capitel, a escultura zoomórfica ganha vida:

A Figura Zoomórfica: A pedra ganha forma através do corpo de um quadrúpede — remetendo para a figura de um leão ou de uma besta do bestiário fantástico medieval — cujo dorso se arqueia para se ajustar perfeitamente à volumetria do capitel.

A cabeça e o peito curvam-se sobre si mesmos numa tensão contida.

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A Função Pedagógica e Protetora: No imaginário medieval, as figuras de animais esculpidas nos portais das igrejas desempenhavam um duplo papel: serviam de avisos morais sobre os perigos do pecado e a ferocidade do mundo profano, ao mesmo tempo que atuavam como guardiões simbólicos, protegendo a entrada do espaço sagrado.

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A Anatomia e a Tectónica do Portal

A composição fotográfica expõe com precisão a estrutura técnica deste elemento arquitetónico, destacando o rigor do talhe em granito regional de grão espesso:

O Astrágalo: Na base do capitel, o anel do astrágalo marca a transição límpida entre o fuste cilíndrico da coluna e o bloco esculpido.

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O Ábaco e a Arquivolta: Acima do motivo animal, o ábaco maciço e plano recebe as cargas do arco de entrada.

Na extremidade superior da pedra, são visíveis dois antigos espigões ou cravos metálicos, testemunhos de antigas intervenções de consolidação ou de fixação de adornos litúrgicos.

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A Luz Rasante: A iluminação lateral captada na fotografia acentua a volumetria da escultura, criando sombras profundas que realçam a porosidade da pedra envelhecida e o relevo vigoroso do trabalho do canteiro.

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“Atravessar este portal é cruzar uma fronteira invisível. Antes de os pés pisarem o chão sagrado do templo, os olhos encontram na pedra a memória de uma época em que cada relevo ensinava uma lição de fé e mistério.”

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A fotografia celebra o valor do detalhe na preservação do património nacional.

Ao isolar o capitel do conjunto da Igreja de Nossa Senhora da Azinheira, Mário Silva convida-nos a admirar a resistência e a alma de uma pedra que continua a desafiar o tempo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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