MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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“Capela de São Mateus” – Santo Estevão – Chaves - Portugal

Fotografia de Mário Silva

“Capela de São Mateus”

Santo Estevão – Chaves - Portugal

O Cobrador de Impostos que se Fez Apóstolo:

A Vida e Obra de São Mateus

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A capela retratada na fotografia, erguida em Santo Estêvão, no concelho de Chaves, respira uma serenidade imemorial.

Ladeada por exuberantes hortênsias cor-de-rosa cultivadas em pesados vasos de pedra, e com a sua fachada banhada por uma luz dourada e coada pelas folhas das árvores, esta Capela de São Mateus é um refúgio de paz no coração de Trás-os-Montes.

A calçada rústica e as robustas cantarias de granito transmitem uma sensação de quietude.

Contudo, a vida do santo padroeiro a quem este pequeno templo é dedicado foi pautada por uma transformação radical: da rejeição e turbulência à mais absoluta redenção espiritual.

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Quem foi, afinal, o homem por detrás do nome que hoje encima a porta de madeira desta capela transmontana?

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A Vida: De Levi, o Pária, a Mateus, o Escolhido

Antes de ser conhecido como São Mateus, o seu nome era Levi.

Natural da Galileia, exercia uma das profissões mais detestadas da sua época: era publicano (cobrador de impostos) na próspera cidade de Cafarnaum, às margens do Mar da Galileia.

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No contexto da Judeia do século I, os publicanos trabalhavam para o Império Romano, a potência ocupante.

Por cobrarem frequentemente mais do que o estipulado para proveito próprio e por servirem o "inimigo", eram vistos pelos seus compatriotas judeus como traidores, pecadores públicos e párias sociais.

Levi passava os seus dias sentado na coletoria, rodeado de moedas, mas espiritualmente isolado do seu povo.

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O ponto de viragem da sua vida ocorreu de forma abrupta e poética, num episódio relatado no seu próprio evangelho:

O Encontro: Jesus de Nazaré, ao passar pelo posto de cobrança, olhou para Levi e proferiu apenas duas palavras: "Segue-me".

A Resposta: Sem hesitar, Levi levantou-se, deixou o dinheiro, os registos e a sua antiga vida para trás, e seguiu-o.

O Banquete: Para celebrar, Levi ofereceu um grande banquete em sua casa, convidando Jesus e outros publicanos e pecadores.

Quando os fariseus criticaram Jesus por comer com a escória da sociedade, este respondeu com a célebre frase: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. (...) Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores".

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A partir desse momento, Levi renasceu.

Jesus deu-lhe o nome de Jesus, que em hebraico significa "Dom de Deus", e integrou-o no círculo restrito dos Doze Apóstolos. 

Após a morte e ressurreição de Cristo, a tradição aponta que São Mateus pregou na Judeia durante vários anos, tendo depois partido para evangelizar a Etiópia e a Pérsia, onde viria a morrer mártir.

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A Obra: O Evangelho e o Legado

A grande obra que imortalizou São Mateus não foi construída com pedra e cal, mas sim com palavras.

Ele é o autor do Evangelho segundo São Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento.

O seu trabalho escrito possui características únicas que refletem a sua mente metódica (herdada da antiga profissão) e o seu público-alvo:

A Ponte com o Antigo Testamento: Mateus escreveu o seu evangelho direcionado principalmente aos judeus convertidos ao cristianismo.

A sua grande missão literária e teológica foi provar que Jesus era o Messias prometido, citando dezenas de vezes as antigas profecias das Escrituras hebraicas.

O Sermão da Montanha: É no Evangelho de Mateus que encontramos os registos mais extensos e detalhados dos ensinamentos éticos e morais de Cristo, sendo o famoso "Sermão da Montanha" (onde constam as Bem-Aventuranças e a oração do Pai-Nosso) o seu ponto mais alto.

O Símbolo: Na iconografia cristã ocidental (o Tetramorfo), São Mateus é habitualmente representado pela figura de um homem alado ou anjo.

Isto deve-se ao facto de o seu evangelho começar de forma muito terrena e metódica: com a genealogia humana de Jesus Cristo, desde Abraão.

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Um Ecos em Pedra Transmontana

Hoje, São Mateus é o santo padroeiro dos contabilistas, banqueiros e alfandegários.

Contudo, ao olhar para a pacata Capela de São Mateus em Santo Estêvão de Chaves, longe do ouro dos impérios e da azáfama das finanças, compreendemos a verdadeira essência da sua obra.

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As robustas portas de madeira da capela, fechadas na imagem, lembram o coração de Levi, que se abriu instantaneamente ao chamamento.

E a pedra firme da fachada reflete a solidez do "Dom de Deus": a crença de que, por mais longe que alguém esteja do seu caminho, há sempre espaço para um recomeço luminoso.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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