As sardinheiras nas escaleiras

De granito agreste se fez a escaleira,
Firme e robusta ao sol transmontano,
Mas ganha a doçura de uma primavera,
Com o toque de amor de um gesto humano.
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Por cada degrau, um vaso pousado,
Pequenos guardiões de folhagem e cor.
É a mão de quem cuida, com jeito calado,
Que rega a terra com pingos de amor.
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São sardinheiras em vasos singelos,
Vermelhas, rosadas, de branco a sorrir.
Entrelaçam-se os caules, rebeldes e belos,
Na grade de ferro que as deixa subir.
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Quem sobe a morada de pedra cinzenta,
Não sente o peso do tempo a passar.
Sente a ternura, que a alma alimenta,
De quem põe a vida num simples cuidar.
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Em Águas Frias, a pedra não é fria,
Aquece no rubro das suas sardinheiras.
E assim se desenha a mais pura poesia:
O bater de um coração... nestas escaleiras.
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Poema & Fotografia: ©MárioSilva
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