MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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A Lenda da Moura Calorenta de Águas Frias (lenda)

Fotografia de Mário Silva

A Lenda da Moura Calorenta de Águas Frias

(lenda)

Quem olha para a fotografia captada pela lente de Mário Silva, depara-se com um cenário digno de um conto de fadas: um arco de pedra ancestral, engolido pela terra e pelo musgo, de onde brota uma água serena e cristalina.

O breu insondável no interior do túnel contrasta com a luz do sol que dança à superfície do charco.

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No entanto, o que a história oficial de Chaves não conta, e que as gentes de Águas Frias sussurram apenas depois do terceiro copo de vinho, é a verdadeira e fantástica razão pela qual esta nascente existe.

Uma estória que envolve magia, engenharias subterrâneas e uma intolerância extrema ao calor.

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O Problema Geotérmico de Chaves

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Como é do conhecimento geral, a cidade de Chaves é famosa pelas suas águas termais a escaldar, que brotam da terra a uns impressionantes 73ºC.

Segundo a lenda local, esta temperatura deve-se a um dragão resmungão que adormeceu debaixo do rio Tâmega e que ressona fogo.

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Mas o que poucos sabem é que, no tempo das Mouras Encantadas, o subsolo da região era um autêntico condomínio fechado de criaturas mágicas.

Entre elas vivia a Dona Zulmira, uma Moura Encantada de feitio difícil, que estava encarregue de pentear os seus longos cabelos loiros com um pente de ouro junto às nascentes.

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O problema é que a Dona Zulmira era extremamente calorenta.

Passar a eternidade numa sauna subterrânea não era, de todo, o seu ideal de paraíso.

Os seus cabelos louros viviam frisados pela humidade, o pente de ouro escaldava-lhe as mãos e a sua paciência para com os dragões termodinâmicos tinha chegado ao limite.

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A Fuga para Águas Frias

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Farta de transpirar o equivalente a uma maratona por dia, Zulmira pegou nas suas trouxas e abriu um buraco na rocha, escavando o mais longe possível do centro de Chaves.

Ao fim de alguns quilómetros, encontrou o local perfeito.

Usando os seus poderes, construiu a majestosa abóbada de pedra que vemos na fotografia.

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Ali, instalou o seu novo T0 mágico.

Para garantir que o dragão não lhe estragava o ambiente, Zulmira fez um feitiço de refrigeração industrial.

E assim nasceu a freguesia de Águas Frias.

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O Segredo do Arco Escuro

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Aquele túnel escuro e misterioso que a fotografia nos mostra não é apenas um canal de água.

É, na verdade, a entrada para o "frigorífico" pessoal da Dona Zulmira.

A Escuridão: Aquele negrume no interior do arco? É porque a Zulmira, muito preocupada com a fatura da luz mágica, desliga sempre o candeeiro de cristal quando vai dormir.

A Água Cristalina: A água que corre para a pequena piscina exterior e que reflete tão bem o sol é, segundo os mais antigos, a água do degelo do congelador onde a Moura guarda os seus gelados de limão e põe o vinho maduro a refrescar para o verão.

O Musgo: Foi plantado estrategicamente pela própria, para servir de tapete antiderrapante quando sai para tomar banho nas noites de São Pedro.

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Dizem os habitantes que, se alguém atirar uma pedra para o fundo do túnel da nascente a meio de uma tarde de agosto, não ouve um “ploc” de água, mas sim um grito abafado:

— “Ó faxabor, não fechem a porta que a arca frigorífica está a descongelar!”

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Portanto, da próxima vez que visitar esta nascente imortalizada por Mário Silva, mantenha o respeito.

Beba um gole da água fresquinha, aprecie a frescura do musgo, mas não se atreva a acender ali uma fogueira.

A Dona Zulmira ainda está a pagar as prestações do ar condicionado mágico e tem muito mau feitio.

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Estória & Fotografia: ©MárioSilva

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