MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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"A intromissão da IA na Arte (obras digitais). Outra versão ou simplesmente destruição do conceito de Arte?"

Vídeo de Obras digitais de Mário Silva

"A intromissão da IA na Arte (obras digitais).

Outra versão ou simplesmente destruição

do conceito de Arte?"

O debate sobre a Inteligência Artificial na arte não é apenas sobre tecnologia; é uma crise existencial sobre o que significa ser criativo.

A ascensão de plataformas geradoras de imagem alimentadas por IA forçou criadores, críticos e o público a confrontar uma questão fundamental: quando uma máquina consegue gerar uma obra-prima visual em segundos, o que acontece à definição de Arte?

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Para compreender este fenómeno, é preciso dissecar o debate em duas perspetivas centrais: a visão de que a IA é a aniquilação da alma artística e o argumento de que é apenas o próximo passo na evolução das ferramentas criativas.

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O Argumento da Destruição:

A Perda da Intencionalidade Humana

Para muitos críticos e artistas, a intromissão da IA não é uma evolução, mas uma canibalização da criatividade humana.

Esta perspetiva assenta em três pilares fundamentais:

A Ilusão da Criação (Ausência de Alma): A arte, historicamente, é um veículo de expressão da condição humana — os medos, os traumas, o contexto cultural e a perspetiva única do autor.

Um algoritmo não sente nem experiencia o mundo; ele apenas calcula a probabilidade de um pixel seguir a outro.

A imagem resultante pode ser esteticamente perfeita, mas é, na sua essência, oca.

O "Plágio" Sistémico: As IA’s generativas não criam no vácuo.

Elas foram treinadas em bases de dados massivas que contêm milhões de obras de artistas humanos, frequentemente sem o seu consentimento, crédito ou remuneração.

Para muitos, a IA não é um criador, mas um motor de colagem altamente sofisticado que lucra com a apropriação indevida.

A Desvalorização do Ofício (Craft): Aprender a dominar a luz, a perspetiva e a teoria da cor leva décadas.

Quando um “prompt” de texto de dez palavras substitui anos de aperfeiçoamento técnico, há um medo real de que o esforço humano deixe de ser valorizado pelo mercado e pela sociedade.

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A Outra Versão: A IA como o "Novo Pincel"

No extremo oposto, argumenta-se que a arte sempre esteve refém da tecnologia e que a IA é simplesmente a mais recente ferramenta na caixa do artista, democratizando a capacidade de criar.

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O Fantasma da Fotografia

No século XIX, com a invenção da câmara fotográfica, o poeta e crítico Charles Baudelaire chamou-lhe o "refúgio dos pintores falhados" e o pintor Paul Delaroche terá declarado que "a pintura estava morta".

A máquina fotográfica, tal como a IA hoje, ameaçava substituir o ofício técnico de captar a realidade.

Contudo, a fotografia não destruiu a pintura; libertou-a.

Sem a necessidade de ser estritamente hiper-realista, a pintura evoluiu para o Impressionismo, o Cubismo e a Arte Abstrata.

A IA pode ser o catalisador de uma nova vanguarda digital.

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A Arte da Curadoria e do "Prompt"

Nesta nova visão, o foco do artista muda.

A técnica manual perde peso, mas a direção artística ganha protagonismo.

O criador deixa de ser o artesão e passa a ser o diretor de orquestra.

O talento reside na capacidade de imaginar, iterar, formular os comandos corretos (prompt engineering) e, acima de tudo, ter o olhar crítico para selecionar e refinar o resultado que melhor traduz a sua visão original.

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O Paradigma Atual:

A Separação entre Conceito e Execução

O que a Inteligência Artificial está realmente a destruir não é a Arte, mas sim a exclusividade humana sobre a execução técnica.

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A arte concetual do século XX — encabeçada por obras como o famoso urinol ("A Fonte") de Marcel Duchamp em 1917 — já nos tinha começado a preparar para isto.

Duchamp provou que a arte não tem de residir no objeto físico feito pelas mãos do artista, mas sim na ideia, na escolha e na intenção por trás dele.

A IA empurra este conceito até ao limite absoluto.

Se a execução técnica for delegada a uma máquina, a arte reduz-se à sua forma mais pura (e mais difícil): ter algo interessante a dizer.

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Conclusão

A intromissão da IA em obras digitais não é a destruição da Arte, mas é, indiscutivelmente, a destruição da definição tradicional de artista digital.

Estamos perante o nascimento de um novo meio híbrido.

Assim como a fotografia não extinguiu o retrato pintado, mas criou a sua própria linguagem, a arte gerada por IA forçará os artistas humanos a explorar territórios onde o algoritmo ainda não consegue chegar: a falha intencional, a vulnerabilidade visceral e a experiência física real.

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”A Arte não acaba aqui; ela apenas muda de pele.”

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Texto & Video: ©MárioSilva (com ajuda da IA)

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