War (Guerra)
Paula Rego

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A pintura War, de 2003, de Paula Rego foi baseada numa fotografia da guerra do Iraque publicada no jornal The Guardian no mesmo ano, causando uma impressão marcante no observador devido às suas figuras grotescas e macabras. Pintada com pastéis em papel, a obra é de carácter surrealista e pertence ao acervo da Tate, em Londres.
As duas figuras femininas centrais, com vestidos, possuem cabeças de coelho e recriam as mães que fogem, em contexto de guerra, com as suas filhas feridas ao colo.
O recurso a estes animais de contos infantis torna a pintura inquietante, pois remete para a infância de cada um e, consequentemente, promove uma maior proximidade entre o que está representado e o observador. Se as figuras fossem mulheres desconhecidas, a mensagem não seria tão pessoal. Em acréscimo, sendo os coelhos símbolo de fertilidade, representam o poder feminino, assim como a heroica mulher em traje de soldado, que simboliza, finalmente, a bravura e a coragem das mulheres que se inscrevem num plano social mais secundário.
Rego ilustra, pois, os horrores inerentes à guerra: gravidezes por violação, através da cegonha com a pata por baixo do vestido da figura híbrida, em sofrimento; a mágoa dos que perdem entes queridos, visível na mulher que abraça a ave morta; a agressividade do terror que resulta numa criança desmembrada. O gato sentado exercita o seu olhar distante e descomprometido no que o envolve. A artista transmite também sensações de tristeza e opressão ao recorrer a cores escuras com pouco contraste, nomeadamente no espaço envolvente.
Estamos, assim, perante uma obra perturbadora que expõe vítimas e que denuncia os horrores da guerra a que estas estão sujeitas as vítimas, estando subjacente uma crítica política aos dirigentes das nações em guerra e uma crítica social àqueles que ignoram e provocam o sofrimento alheio. A pintura é, pois, um grito de contestação da pintora perante estas atrocidades e um apelo ao papel da mulher, traço recorrente das obras de Paula Rego.
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