MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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SEXTA FEIRA SANTA "Calvário" (1679) - Josefa de Óbidos

SEXTA FEIRA SANTA


"Calvário" (1679) - Josefa de Óbidos


18Abr Calvário 1679 - Josefa de Obidos


A pintura "Calvário" (1679), de Josefa de Óbidos, retrata um dos momentos mais dramáticos e significativos da Paixão de Jesus Cristo: a sua crucificação.


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A Paixão de Jesus Cristo: Da Captura à Morte na Cruz


A Paixão de Cristo refere-se aos eventos que culminaram na crucificação e morte de Jesus, conforme narrados nos Evangelhos do Novo Testamento.


Esses eventos são centrais na tradição cristã e frequentemente representados na arte sacra.


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A Captura no Getsêmani:


Após a Última Ceia, Jesus foi com os seus discípulos ao Jardim do Getsêmani para orar.


Lá, ele foi traído por Judas Iscariotes, que o identificou com um beijo para os soldados romanos e os guardas do templo.


Jesus foi preso, apesar de não oferecer resistência, e os seus discípulos fugiram.


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Os Julgamentos:


Jesus foi levado primeiro a Anás e depois a Caifás, o sumo sacerdote, onde foi interrogado e acusado de blasfêmia por se declarar o Filho de Deus.


Em seguida, foi levado a Pôncio Pilatos, o governador romano, que, sob pressão da multidão, o condenou à morte, mesmo não encontrando culpa clara.


Pilatos "lavou as mãos" simbolicamente, e Jesus foi sentenciado à crucificação, uma pena reservada para criminosos graves.


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A Flagelação e a Coroação de Espinhos:


Antes da crucificação, Jesus foi açoitado brutalmente pelos soldados romanos.


Eles também zombaram dele, colocando uma coroa de espinhos na sua cabeça e vestindo-o com um manto púrpura, chamando-o sarcasticamente de "Rei dos Judeus".


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O Caminho para o Calvário (Via Dolorosa):


Jesus foi forçado a carregar a sua cruz até o Gólgota (ou Calvário), o local da execução.


Enfraquecido pelos açoites, ele caiu várias vezes.


Simão de Cirene foi obrigado a ajudá-lo a carregar a cruz.


Durante o trajeto, Jesus encontrou mulheres que choravam por ele e sua mãe, Maria.


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A Crucificação:


No Gólgota, Jesus foi pregado à cruz pelos pulsos e pés.


Acima de sua cabeça, foi colocada uma placa com a inscrição "INRI" (Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum, ou "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus").


Ele foi crucificado entre dois ladrões.


Durante as horas na cruz, Jesus sofreu intensa dor física e espiritual, pronunciando palavras marcantes, como "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem" e "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".


Sua mãe, Maria, e o discípulo João estavam ao pé da cruz, junto com outras mulheres.


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A Morte de Jesus:


Após várias horas de agonia, Jesus exclamou "Está consumado" e entregou o seu espírito.


Nesse momento, segundo os Evangelhos, houve sinais sobrenaturais, como um terremoto e a escuridão que cobriu a terra.


Um centurião romano, ao presenciar isso, declarou: "Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus".


Um soldado perfurou o lado de Jesus com uma lança, e dele saíram sangue e água, confirmando a sua morte.


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Descrição da Pintura "Calvário" de Josefa de Óbidos


A pintura "Calvário" de Josefa de Óbidos, uma das mais importantes artistas portuguesas do barroco, captura o momento da crucificação com grande sensibilidade e emoção.


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No centro da pintura, Jesus está crucificado, pendurado na cruz.


O seu corpo exibe sinais de sofrimento: a cabeça inclinada, coroada de espinhos, o torso magro com feridas visíveis, e o sangue escorrendo das suas mãos, pés e do lado perfurado.


A placa com a inscrição "INRI" está fixada acima da sua cabeça, conforme a tradição.


A expressão de Jesus transmite dor, mas também uma serenidade espiritual, típica das representações barrocas que buscavam enfatizar tanto o sofrimento humano quanto a divindade de Cristo.


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Ao redor da cruz, estão quatro figuras que expressam luto e devoção:


- Maria, Mãe de Jesus: À esquerda, vestida com um manto azul (símbolo de pureza e tristeza), Maria está de pé, com as mãos unidas em oração.


O seu rosto reflete uma dor profunda, mas contida, como a de uma mãe que sofre pela perda do filho.


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- Maria Madalena: Ajoelhada ao pé da cruz, com longos cabelos soltos, ela abraça a base da cruz, simbolizando o seu arrependimento e amor por Jesus.


Madalena é frequentemente retratada assim, como uma figura de penitência e devoção.


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- São João Evangelista: À direita, com um manto vermelho, João, o discípulo amado, está de pé, com uma expressão de angústia e tristeza.


Ele olha para Jesus, com uma mão levantada num gesto de desespero ou súplica.


 


- Outra Figura Feminina: Provavelmente outra das mulheres presentes no Calvário, como Maria de Cléofas, está ao lado de Maria, também em luto.


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Josefa de Óbidos utiliza uma paleta de cores típica do barroco português, com tons terrosos e escuros que contrastam com os mantos coloridos das figuras.


O fundo é sombrio, sugerindo a escuridão que cobriu a terra durante a crucificação, conforme descrito nos Evangelhos.


A luz parece emanar do corpo de Jesus, destacando-o como o foco espiritual da cena.


A composição é equilibrada, com as figuras dispostas de forma a guiar o olhar do observador para Cristo.


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A pintura reflete a influência do barroco, com ênfase no realismo emocional e na espiritualidade.


Josefa de Óbidos, conhecida pela sua habilidade em retratar temas religiosos com delicadeza, dá às figuras uma humanidade palpável, especialmente nas expressões de dor e compaixão.


O uso de gestos, como as mãos de Maria unidas e o abraço de Madalena à cruz, intensifica o impacto emocional da obra.


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Josefa de Óbidos (1630-1684) foi uma das poucas mulheres pintoras de destaque no período barroco, trabalhando principalmente em Portugal.


A sua obra é marcada por uma sensibilidade única, combinando influências do barroco espanhol e português com um toque pessoal, muitas vezes mais suave e intimista.


O tema da Paixão de Cristo era comum na arte sacra da época, especialmente num contexto de forte religiosidade católica, intensificada pela Contrarreforma.


A pintura "Calvário" reflete essa devoção, buscando inspirar piedade e reflexão nos fiéis.


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Texto: ©MárioSilva


Pintura: Josefa de Óbidos


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