"Sé Velha de Coimbra" (1920)
Alberto de Sousa (1880-1961)

A pintura "Sé Velha de Coimbra" (1920), do artista português Alberto de Sousa (1880-1961), retrata a imponente catedral românica de Coimbra, conhecida como Sé Velha, um marco histórico e arquitetónico de Portugal.
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A obra é uma aguarela que captura a estrutura robusta e medieval da catedral, com as suas torres fortificadas e o portal principal ricamente ornamentado.
A paleta de cores é dominada por tons quentes de ocre e castanho, que realçam a textura da pedra, contrastando com o céu claro e os tons mais frios das construções ao redor.
A luz suave sugere um momento do dia tranquilo, possivelmente ao entardecer, com sombras que acentuam os volumes da arquitetura.
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Na cena, figuras humanas em trajes tradicionais aparecem em escala reduzida, caminhando pelas ruas estreitas que contornam a catedral.
Isso cria uma sensação de monumentalidade da construção em relação à vida quotidiana, além de situar a obra num contexto histórico específico, refletindo a Coimbra do início do século XX.
A composição é equilibrada, com a Sé Velha posicionada centralmente, enquanto as ruas e edifícios laterais guiam o olhar do observador para a estrutura principal.
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Alberto de Sousa demonstra, nesta obra, uma habilidade notável no uso da aguarela, técnica que exige precisão e sensibilidade para capturar a luz e a atmosfera.
A escolha do “médium” reflete a intenção de transmitir leveza e transparência, características que contrastam com a solidez da arquitetura românica.
A sua abordagem é realista, mas com um toque impressionista na forma como a luz e as cores se misturam, criando uma sensação de vivacidade e espontaneidade.
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A pintura não apenas documenta a Sé Velha, mas também evoca um sentimento de nostalgia e ligação com o passado português.
A inclusão das figuras humanas adiciona um elemento narrativo, sugerindo a continuidade da vida ao redor de um monumento que remonta ao século XII.
No entanto, a obra pode ser criticada pela sua abordagem um tanto convencional: embora tecnicamente bem executada, não apresenta uma interpretação inovadora ou emocionalmente profunda do tema.
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Alberto de Sousa parece mais focado numa representação fiel e estética do que em explorar simbolismos ou tensões emocionais.
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Comparado a outros artistas portugueses da época, como José Malhoa, que frequentemente imbui as suas obras de maior carga emocional e dinamismo, o trabalho de Sousa aqui é mais contido e contemplativo.
Isso, porém, não diminui o seu valor como um registro histórico e artístico, especialmente considerando o contexto do início do século XX, quando Portugal buscava reafirmar a sua identidade cultural no meio das mudanças sociais e políticas.
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Em conclusão, "Sé Velha de Coimbra" é uma obra que combina habilidade técnica com uma sensibilidade para a história e a arquitetura portuguesa.
Embora não seja revolucionária em termos de estilo ou conceito, a pintura de Alberto de Sousa é um testemunho elegante da beleza atemporal da Sé Velha e da sua importância cultural, capturando um momento de serenidade e reverência pelo passado.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Alberto de Sousa
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