“Pousada de Ciganos” - 1923
Eduardo Afonso Viana

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“Pousada de ciganos” será o exemplo maior de uma série sobre o casario de Olhão que Eduardo Afonso Viana pintou durante os anos 20.
Semelhantes séries havia realizado sobre o Porto. A eleição deste tema é sem dúvida significativa do entendimento e consequentes limites que o pintor teve do Cubismo; um referente que apresenta uma volumetria cúbica bem delineada sob um céu mediterrânico nele espelhado e representado de um modo pré-cubista.
A lição cézanniana sente-se na procura construtiva de cada plano. A linha do horizonte, pendendo para a direita, acentua a obliquidade das outras linhas que ganham autonomia pictórica. Os planos cor de laranja, que na construção dos volumes são posteriores aos planos azuis, sobrepõem-se sensorialmente a estes contribuindo para o ritmo geral da composição.
A presença de um branco intenso nas zonas mais iluminadas destes planos torna-se vibrátil e contribui para a sua autonomização enquanto puras superfícies. Assim, é dentro de uma lógica de sensações pictóricas, reenviando continuadamente para si mesmo e que ao referente consente apenas um resíduo sensorial de cor luxuriante, que esta pintura se aproxima do figural.
A dimensão construtiva e o sensualismo de cor conjugam-se aqui de um modo intuitivo, mais conveniente a Viana do que dentro de uma teorização formal a que o artista, mais despreocupadamente que alguns anos antes, terá voltado costas.
Todavia, se é na qualidade de ofício que reside esta poética, por oposição a uma vertente conceptual característica do Modernismo, é talvez na emergência deste aspeto, prometido pela paisagem, que surge um temor da sua desumanização abstrato-construtiva que repõe as figuras dos primeiros planos, apontadas sinteticamente, revelando um pitoresco que limita parcialmente o alcance descomprometido desta pintura.
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