"Eiró - Vinhais", 1943
Celestino Alves (1913 – 1974)

Celestino de Sousa Alves (Setúbal, 1913 — 1974) foi um pintor português. Pertence à segunda geração de pintores modernistas portugueses.
Formou-se em pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa.
Foi professor do Ensino Técnico Profissional em Setúbal, Faro, Caldas da Rainha e Lisboa.
Foi, durante quatro anos, professor da disciplina de Desenho na Sociedade Nacional de Belas Artes. De 1960 a 1962 fez parte do 1º Conselho Técnico da mesma Sociedade.
Com o seu sóbrio paisagismo inicial, de um modernismo sem alardes que se lembra de um Cézanne mas também de um Boudin, e que recusa permanentemente qualquer compromisso oitocentista, Celestino Alves dá prioridade à afirmação dos valores plásticos da pintura.
De paleta sóbria, as suas obras privilegiam os tons quentes com relevo para tonalidades em amarelo e castanho. As suas paisagens são descritas em amplas manchas cromáticas, como se o pintor elaborasse um voo rasante sobre a tela traduzindo força e paixão pela natureza que o fascina.
O seu traço é amplo, livre e linear. A pintura de Celestino Alves reproduz um instintivo sentimento de liberdade de pensar e de criar. As paisagens livres da ação do Homem comovem-no. Esta entrega instintiva à pureza da terra confere um valor superior a essa paixão viva pela liberdade criativa.
Na década de 1960 distancia-se das formas de representação das paisagens iniciais e opta pela abstração, explorando a matéria pictórica, valorizando, embora timidamente, o plano da tela, apresentando cores, baças e pouco contrastantes, em grandes massas homogéneas, e simplificando os relevos. Os seus quadros são cuidadosamente executados, com uma conscienciosa economia de processos.
