"Se a Vi(d)a é estreita, eu encolho
e hei de passar"
Mário Silva (IA)

Esta ilustração digital, sob a curadoria de Mário Silva, adota um estilo expressionista e caricatural com uma textura marcante em impasto, onde a tinta parece ter sido aplicada às colheradas pesadas.
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O Veículo e a Manobra “Impossible”: No centro da composição, um clássico Volkswagen Carocha bege encontra-se comicamente comprimido e inclinado numa ruela estreita e íngreme de paralelos.
A carroçaria do carro contorce-se e amassa-se para se espremer entre as paredes de pedra das casas.
No tejadilho, carrega uma grade de madeira carregada de garrafas de Vinho do Porto, presuntos e pequenos barris.
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O Condutor: Ao volante, sobressai um condutor de boina, com olhos arregalados de espanto e pânico, suor na testa e um nariz proeminente, espreitando pela janela enquanto tenta, contra todas as leis da física, rasgar caminho pela travessa.
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O Cenário Portuense: O cenário respira Invicta: à esquerda, uma placa azul assinala a "Rua da Saudade"; à direita, uma parede avermelhada exibe a frase "Porto é Lindo Caramba!".
Ao fundo, sobre os telhados de canudo e sob um céu dramático, vislumbra-se o Rio Douro, a Ponte D. Luís I e a silhueta da Torre dos Clérigos, encimada na iluminação pública por uma gaivota curiosa.
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Selo de Curadoria: No canto inferior esquerdo, sobre a calçada de pedra, encontra-se o selo circular dourado com as iniciais "MS".
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“Ó Mê Irmão, Se a Rua Não Alarga, Encolhe o Carocha!”
Dizem os doutores da invenção e do urbanismo moderno que as cidades foram feitas para os carros.
Pois com certeza que foram... mas não no Porto, carago!
Quem é que nunca se meteu por uma quelha da rua nas Fontainhas ou no Barredo, a confiar no GPS da treta, só para descobrir que a rua vai estreitando até ficar do tamanho de um ralo do chuveiro?
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A ilustração acima é o retrato vivo do tripeiro de gema ao volante.
A rua é estreita?
O piso é de paralelo escorregadio?
O Carocha já vai a roçar com a pintura nas duas paredes ao mesmo tempo e a deixar o espelho retrovisor agarrado à porta da vizinha?
Que se lixe!
Aqui no Porto não há cá "faça inversão de marcha quando possível".
Se a via é estreita, a gente encolhe as orelhas, prende a respiração, enche-se de alma e há de passar!
É uma questão de honra e de teimosia tripeira.
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E repare-se na carga preciosa que vai no tejadilho: umas garrafinhas de Porto, uns pipos e uns presuntos do bom.
Isso é que não se pode estragar!
Podem ir os paralamas ao ar, pode a chapa ficar vincada como as rugas de um velhote da Ribeira, mas o pipo de néctar e os petiscos chegam intactos ao destino, nem que seja preciso empurrar o carro a braço ou passar com ele de lado!
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A placa ali ao lado a dizer "Porto é lindo caramba!" não engana ninguém.
É lindo, é, mas para andar a pé ou de elétrico!
Porque meter um Carocha numa travessa da Ribeira a pensar que se está na Circunvalação exige uma fé tão grande como a que ergueu a Torre dos Clérigos.
Mas prontos, no fim de contas, o portuense desenrasca-se sempre: se o carro não passa, encolhe-se o carro; se a vida aperta, encolhe-se a barriga e vai-se em frente com uma caralhada e um sorriso nos lábios.
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Ao olhar para a figura do condutor entalado entre o granito e a teimosia portuense, considera que esta cena reflete o espírito desenrascado e resiliente de quem habita os centros históricos, ou é apenas a prova provada de que o GPS devia ser proibido nas ruelas da Invicta?
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Texto & Ilustração digital (IA): ©MárioSilva
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