MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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O Limiar do Tempo: "O Fim... de setembro"

Fotografia de Mário Silva

O Limiar do Tempo:

"O Fim... de setembro"

Há uma melancolia luminosa que habita os últimos instantes do nono mês do ano.

Na fotografia de Mário Silva, sob o título "O Fim ... de setembro", a ruína de granito ergue-se contra o céu claro como uma alegoria perfeita da transição.

O tempo, esse pedreiro invisível, desgasta as coberturas do verão e deixa a descoberto a estrutura essencial da pedra, convidando-nos a contemplar a beleza que habita no que se desfaz e se transforma.

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O olhar é inevitavelmente atraído pela moldura da janela encravada na parede rústica.

Com os seus vidros partidos e ausentes, a caixilharia já não serve para isolar a casa do mundo exterior; converte-se, antes, num pórtico de luz.

Através dessas aberturas rasgadas pelo desgaste dos anos, a claridade suave do crepúsculo atravessa a estrutura gasta.

É a própria essência do fim de setembro: a despedida dos dias quentes e protegidos, dando lugar à transparência límpida do outono, onde a luz perde o calor intenso, mas ganha uma nitidez reveladora.

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No topo da construção, o telhado desmoronado expõe as vigas de madeira e as telhas de barro desalinhadas.

O que outrora serviu de abrigo contra as intempéries cede agora ao espaço aberto.

Esta ruína não representa a simples ruína do edificado; é uma metáfora sobre o desapego.

Setembro despede-se desnudando os seus abrigos, permitindo que o céu ocupe o lugar do teto e que o ar mais fresco de outubro comece a circular livremente entre as frestas do granito.

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O registo visual capta com delicadeza este limiar entre a permanência e a mudança.

As pedras puras guardam o calor acumulado de todos os sóis de verão, mas a abertura para o firmamento sinaliza que cada ciclo exige uma entrega.

O fim de uma estação não é uma perda, mas a abertura necessária para que uma nova atmosfera nos atravesse.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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