MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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Dia de Contar uma Piada – Mário Silva (IA)

Obra digital sob a curadoria de Mário Silva

Dia de Contar uma Piada

Mário Silva (IA)

Dia de Contar uma Piada é uma obra digital criada com recurso à inteligência artificial e apresentada sob a curadoria de Mário Silva.

A imagem reúne várias pessoas num instante de riso partilhado, como se a própria tela tivesse acabado de ouvir a melhor piada do mundo — ou, pelo menos, uma suficientemente boa para ninguém conseguir manter a compostura.

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Entre pinceladas expressivas, cores quentes e rostos iluminados pela alegria, a obra celebra o humor como uma forma simples de aproximar pessoas.

Aqui, a tecnologia serve de ponto de partida; a emoção, a cumplicidade e a gargalhada continuam a ser inteiramente humanas.

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A piada que precisava de aprovação

No bairro de Cimo de Vila, o Dia de Contar uma Piada era levado muito a sério.

Tão a sério que, nesse ano, a associação de moradores decidiu criar o Comité Oficial da Piada do Dia.

A presidente, Alzira, entrou na sala com uma pasta azul, três carimbos e uma expressão de quem tinha acabado de descobrir um escândalo nacional.

— Meus senhores — anunciou —, uma piada não pode ser contada de qualquer maneira. Tem de cumprir critérios.

— Que critérios? — perguntou o Augusto, já a sorrir por antecipação.

Alzira consultou uma folha de cálculo.

— Originalidade, clareza, duração máxima de trinta segundos, ausência de trocadilhos duvidosos e capacidade de provocar, no mínimo, três gargalhadas genuínas.

— E se provocar quatro? — perguntou a Beatriz.

— Terá de ser encaminhada para avaliação extraordinária — respondeu Alzira.

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O primeiro candidato foi o Américo, que contou uma piada sobre um pato que entrava numa farmácia.

O pato saiu da farmácia com um creme para as patas e uma receita para… bem, ninguém percebeu a receita para quê.

— Duas gargalhadas e um “hã?” — registou Alzira. — Fica em análise.

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Depois veio a vez de Júlia, que contou uma anedota tão comprida que, a meio, o Augusto foi buscar uma sandes.

Quando regressou, a piada ainda estava no princípio, mas já tinha perdido o entusiasmo e a validade.

— Excede o limite de tempo — decidiu o comité.

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Por fim, levantou-se o Rogério, conhecido por contar piadas com uma confiança muito superior à qualidade das próprias piadas.

— Esta é infalível — garantiu.

Fez uma pausa dramática, olhou para todos e começou:

— Sabem porque é que o computador foi ao médico?

O silêncio instalou-se. Até o relógio pareceu baixar o volume.

— Porque tinha um vírus! — concluiu Rogério.

Ninguém riu.

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Rogério esperou mais cinco segundos, como quem aguarda aplausos num teatro.

Nada. Então acrescentou:

— Pronto… era uma versão antiga. Agora os computadores vão ao técnico.

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O comité reuniu-se em segredo.

Houve discussão, consulta do dicionário e uma votação que acabou empatada entre “sem graça” e “com potencial, se explicada”.

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Foi nessa altura que a Beatriz levantou a mão.

— Posso dizer uma?

Alzira suspirou, mas autorizou.

Beatriz aproximou-se da mesa, muito séria, e perguntou:

— Porque é que o Comité Oficial da Piada do Dia ainda não escolheu a piada vencedora?

— Porque estamos a avaliá-las com todo o rigor — respondeu Alzira.

— Então já encontrei a melhor.

— Qual?

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Beatriz apontou para a pasta azul, para os carimbos e para a folha de cálculo.

— A piada é vocês terem criado um comité para decidir se uma piada tem graça.

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Durante dois segundos, ninguém reagiu.

Depois, o Augusto desatou a rir.

Júlia riu-se também.

O senhor bateu com a mão na mesa.

Rogério riu por último, sobretudo porque percebeu que, pela primeira vez, estava dentro de uma piada realmente boa.

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Alzira tentou manter a dignidade, mas acabou a rir-se tanto que deixou cair os três carimbos.

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Nesse dia, o comité aprovou por unanimidade a piada de Beatriz.

Também aprovou uma nova regra: para contar uma piada, bastava que alguém se divertisse.

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E, como ninguém conseguiu decidir quem tinha sido a pessoa mais divertida, o prémio foi entregue à pasta azul — por ter aguentado a reunião inteira sem se rir.

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Tal como sugere a obra, uma boa piada não precisa de cerimónia, carimbo ou autorização.

Precisa apenas de ser partilhada no momento certo, com pessoas dispostas a rir — mesmo quando a piada é tão má que acaba por se tornar excelente.

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Texto & Obra digital (IA): ©MárioSilva

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