MARYUS _ Fotografia_Pintura_AI

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"Não tenho nenhum talento especial.
Apenas sou apaixonadamente curioso."
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A Elegia do Tempo: A Rosa que se Desfolha e a Porta que se Despinta

Fotografia de Mário Silva

 A Elegia do Tempo: 

A Rosa que se Desfolha

e a Porta que se Despinta

O tempo não emite som ao passar, mas esculpe a sua presença em cada textura do mundo.

Na fotografia de Mário Silva, sugerida com o título poético de "Rosa quase a desfolhar e a porta quase a despintar”, somos convidados a testemunhar um diálogo silencioso sobre a fragilidade, a impermanência e a aceitação do fim.  

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Nesta composição rústica, a verticalidade da imagem é marcada pelo cansaço da obra humana.

Uma velha porta de madeira, outrora orgulhosamente pintada de verde, cede à usura das estações e às intempéries do Alto Tâmega.

A tinta gretada e lascada revela as cicatrizes da madeira crua e escurecida, enquanto a fechadura e a aldraba repousam sob o peso secular e alaranjado da ferrugem.

A seu lado, a solidez de um bloco de granito claro serve de testemunha impassível a este lento e contínuo "despintar" da memória.  

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Em primeiro plano, irrompendo como um último suspiro de vivacidade, ergue-se uma rosa de tons carmim e magenta.

Ela encontra-se no limite exato da sua plenitude, mas as extremidades das suas pétalas já começam a secar e a dobrar-se sobre si mesmas, anunciando o iminente "desfolhar" ao sabor do próximo vento de outono.

É uma beleza destemida e nostálgica, que não teme exibir a sua própria exaustão perante a dureza da pedra e o abandono da madeira.  

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Estes elementos partilham uma poética profunda de declínio, diferindo apenas na escala do relógio.

A porta envelhece na cadência lenta e resignada das décadas; a rosa despede-se na urgência trágica dos dias.

Juntas, no olhar sensível do fotógrafo, formam uma metáfora exata da estética “wabi-sabi” — a compreensão de que a verdadeira beleza não reside na perfeição intacta da juventude, mas sim nas marcas, no desgaste e nas histórias que a passagem do tempo nos crava na pele.

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Ao observar esta valsa entre a flor efémera que cede as suas pétalas à terra e a porta que devolve a sua cor ao vento, que memórias ou elementos da sua própria história sente que ganharam um encanto mais autêntico precisamente por carregarem as imperfeições do tempo?

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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